Aspectos Benéficos e Maléficos na Reciclagem de Alumínio
Depois do oxigênio e do silício, o alumínio é o elemento químico mais abundante na crosta terrestre (8,13 %).
Sendo abundante, deveria ser extremamente barato. Ocorre que, devido à sua elevada afinidade com o oxigênio, não é fácil encontrá-lo como substância elementar mas, sim, em formas combinadas tais como óxidos ou silicatos. Por isso, alumínio puro é muito caro para ser produzido - e consome muita energia (elétrica ou térmica) na sua produção, além de muita bauxita. Daí vem o fato de ser economicamente interessante reciclá-lo: é mais barato reciclar do que produzir a partir das substâncias encontradas na Terra.
As famosas latinhas de cervejas e refrigerantes são um dos artigos de alumínio puro mais complexos já produzidos pela indústria. As latas de refrigerantes e cervejas são 100% recicláveis - e o produto dessa transformação pode ser usado para os mesmos fins de armazenagem originais, o que não ocorre com as garrafas plásticas, que, depois de recicladas, não podem mais guardar alimentos. Por isso o interesse na sua reciclagem é elevado: 100% de viabilidade técnica de reaproveitamento, o que o torna essa reciclagem economicamente mais interessante que a do vidro ou do plástico.
E aqui vem a boa notícia: a reciclagem de latinhas de alumínio bateu todos os recordes no Brasil. Somos o maior reciclador desse artigo no mundo, há anos. Aspectos positivos:
- Economizamos energia. "A energia poupada com a reciclagem de latinhas em 2003 seria suficiente para abastecer a cidade de Campinas" (cerca de 1.5 milhões de habitantes) por um ano." (FSP - ref1) . "Para as indústrias, a reciclagem do alumínio tem vantagens óbvias na economia de energia. O processo gasta cerca de 700 Kilo Watts/hora ao ano, o que equivale a menos de 5% da energia gasta no processo de elaboração primária do alumínio, que transforma a bauxita em alumina e depois em barras ou chapas de alumínio. As associações do setor projetam uma economia de energia que daria para abastecer de eletricidade uma cidade como Campinas, com cerca de 1,5 milhão de habitantes." (HowStuffWorks- ref5)
- Geramos renda. "Às vantagens competitivas some-se um exército de pessoas que vêem na venda de latas uma forma até de sobreviver. Não é à toa que a reciclagem de latas movimenta mais de R$ 850 milhões anuais no país" (FSP - ref1)
- Preservamos o meio ambiente. Reciclar alumínio evita que essa latinha seja jogada na natureza. O alumínio pode demorar de 100 a 500 anos para se degradar totalmente. Os problemas do aquecimento global também são amenizados com a reciclagem, já que o processo emite apenas 5% do gás carbônico que se emite na produção do alumínio primário, também segundo a Abal.
- Economizamos matéria prima. "O alumínio é 100% reciclado ... poupando assim a extração de 700 mil toneladas de bauxita, apesar da bauxita não ser necessariamente um material em extinção" (HowStuffWorks- ref5)

ref2 - FSP
Trabalho e Renda dos Catadores
Um catador de latinhas típico gasta de 1 a 3 dias para recolher 75 latinhas, equivalentes a 1 kg de alumínio. Ou seja, se for muito bom, recebendo R$2/kg, e se trabalhar 30 dias corridos por mês, vai faturar R$ 60 - ou seja, 15% do salário mínimo vigente (R$400). Em alguns casos o "pagamento " é feito em vales, cupons, ou seja, não é dinheiro. Os cupons e vales as vezes são trocados por serviços/mercadorias nas próprias associações de catadores.
Esta é a má notícia: somente pessoas na mais absoluta miséria podem se dedicar a esta atividade que, se é excelente para as indústrias, é socialmente péssima, pois não permite a existência com um mínimo de dignidade.
Em outras palavras: é a miséria -e não a consciência social - que mantém o Brasil na liderança mundial na reciclagem de latas de alumínio. Em 2006 atingimos um índice de 96,2%, mantendo o Brasil, pelo quinto ano consecutivo, a liderança mundial na reciclagem de latas de alumínio entre os países onde essa atividade não é obrigatória por lei. O índice de reciclagem de latas de alumínio no Brasil está à frente de países que têm legislação rígida sobre reciclagem de materiais, como é o caso da Dinamarca, Finlândia e Suíça, que em 2004 apresentaram índice médio de 88%. (ref3)
O país reciclou 127,6 mil toneladas de latas de alumínio em 2005, o que representa 9,4 bilhões de latas recicladas no ano.Segundo a ABAL (Associação Brasileira do Alumínio ), a reciclagem de latas de alumínio traz benefícios sociais para o país, como a geração de emprego e renda para mais de 160 mil pessoas. Ainda segundo a ABAL, somente a etapa de coleta (a compra das latas usadas) injeta anualmente cerca de R$ 490 milhões na economia nacional, volume financeiro equivalente ao faturamento de empresas que estão entre as 500 maiores do país(Ref3).
Fazendo as contas de trás para a frente, vemos que cada quilo de latas precisu de 73,7 latinhas coletadas. E que a renda mensal teórica gerada para cada "emprego" (sic) foi de R$ 255, pois a indústria pagou R$3,84 por quilo, em média. Só que os catadores ficam com R$2,00 por quilo... Sua renda máxima é de R$ 132 mensais, ainda correspondentes a 33% de um salário mínimo. Para fazer essa "renda", os catadores precisam capturar 161 latinhas por dia, todo o dia, 30 dias por mês. Um exército de 160 mil pessoas, catanto 26 milhões de latas diariamente, para receber cada uma, pelas suas 161 latinhas individuais, R$ 4.37 por dia. (ref4)
Falando-se em reciclagem de uma forma geral, a situação dos catadores só não é socialmente pior pela existência e pelo fortalecimento crescente das Cooperativas: "No Brasil, é impensável falar em reciclagem sem citar os catadores de materiais e suas Cooperativas. Não existem números fechados, mas calcula-se que existam de 300 mil a 1 milhão de catadores em atividade no país. Os dados são do Movimento Nacional dos Catadores de Materiais Recicláveis (MNCR), que, no final de 2006, registrava 450 cooperativas formalizadas e aproximadamente 35 mil catadores em seus cadastros." ... "Os atravessadores se aproveitam da frágil estrutura organizacional dos catadores e abocanham 75% do faturamento gerado pela reciclagem, segundo dados do Instituto Polis. Os catadores, por sua vez, ficam com apenas 25% da receita (e com todo o trabalho pesado)."..."Se vale a pena? Na maioria dos casos, não se trata de escolha, e sim de luta pela sobrevivência. Quem não consegue empregos melhores, mas tem família para criar, acaba virando catador. Apesar da insalubridade, do desprestígio social e da baixa remuneração, o dinheiro para atender necessidades latentes vêm no curto prazo." ..."É por isso que proliferam-se, pela maioria dos centros urbanos do País, as cooperativas de catadores de materiais reciclados. Organizados, os catadores têm obtido resultados expressivos no sentido de melhorar suas condições de trabalho e sua remuneração." (HowStuffWorks- ref6)
É possível mudar este quadro?
É. Ao menos parcialmente - e isso é melhor do que nada. Segundo Celso Monteiro (ref7), "O grande volume de materiais coletados pela cooperativas permite que os preços sejam melhor negociados, seja com indústrias que utilizarão o material como matéria-prima, seja vendendo a atravessadores. Em última análise, a cooperativa dispensa a presença dos atravessadores, pois possui estrutura suficiente para negociar direto com o cliente final.
Por outro lado, não raro vemos cooperativas manufaturando uma parte do material coletado, no intuito de diversificar sua linha de produtos e incrementar seu faturamento. Produz-se peças de artesanato, objetos decorativos e mobiliário, entre outros. Estas atividades, em geral, envolvem a família dos cooperados e moradores de rua." (ref7)
É neste contexto que se insere o projeto social da Arte Nativa, no sentido de fazer com que associações de apoio, escolas e inclusive cooperativas ligadas à coleta de latinhas, consigam destinar uma parcela dos materiais coletados - que normalmente iriam para reciclagem - para a produção e venda de objetos artesanais e objetos decorativos baseados na lata de alumínio. Ou seja, agregando valor aos mesmos materiais.
O projeto Arte Nativa prevê oficinas orientadas para a criação de multiplicadores, isto é, profissionais de associações, professores de escolas e mesmo profissionais das cooperativasalém - que vão aprender todas as técnicas da produção de Arte com Latas de Alumínio, podendo repassar esses conhecimentos para seus grupos comunitários (ou cooperados) associados. Depois de participar da Oficina Arte Nativa, onde os multiplicadores recebem aulas e adquirem técnicas, eles passam a organizar cursos abertos de artesanato, levando o conhecimento para um número cada vez maior de pessoas. A produção de objetos artísticos pode ser feita pelo próprio catador, bem como pode ser extendida para seus familiares, aumentando o volume de produção e a renda derivada.
Potencial de Impacto na Renda dos Coletadores
Com o beneficiamento do alumino pela técnica de Arte em Alumínio sobre Papel que ensinamos , a partir de uma única latinha é possível produzir até 20 itens em média (exemplos: broches, imãs de geladeira), que podem ser vendidos à razão de 1 à 3 reais cada um - chegando-se ao resultado de até R$ 60,00 por latinha, em média, cerca de R$30.
Ao vender um 1 kg de latinhas (75 latinhas) por R$2, o catador fatura 3 centavos por latinha Comparando-se com o faturamento médio dos objetos de arte, o faturamento cresce 1000 vezes o valor obtido na venda da latinha por peso.
Isto significa agregar valor à razão de 10.000 por cento!!!
A transformação das latinhas descartadas de alumínio em obras de arte e decoração é uma operação inovadora, que foi possível através do uso da técnica de Arte em Alumínio Sobre Papel, desenvolvida pelo artista Ferruccio Marco Giorgini, no ano de 2006 - e desde então tem sido aprimorada.